Monday, May 30, 2005

CADEIA NELES

Justiça recebe relatório sobre movimentação de contas no exterior
JOSÉ MASCHIO da Agência Folha, em Londrina

A 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba (PR), especializada em crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, recebeu da Receita Federal a identificação de 3.310 pessoas físicas e jurídicas que movimentaram US$ 839,8 milhões no Beacon Hill Service Corporation, de Nova York. O relatório aponta os donos do dinheiro movimentado por doleiros brasileiros nos Estados Unidos.

Com a nova listagem, a Justiça e a Receita Federal iniciam uma nova etapa das investigações que, no ano passado, resultaram na prisão de doleiros em vários Estados brasileiros, na operação Farol da Colina. Agora, a Receita irá oferecer representação fiscal contra essas pessoas e as varas especializadas em lavagem de dinheiro irão, após receberem o relatório, investigar a possíveis crimes de sonegação e lavagem.

Os doleiros presos na operação Farol da Colina, todos com ligação com a casa bancária Beacon Hill, já sofrem ações penais e alguns já sofreram condenações na Justiça Federal. É o caso de Antônio Claramunt, o Toninho da Barcelona, condenado pela Justiça Federal no Paraná e São Paulo a quase 20 anos de reclusão.

A casa bancária Beacon Hill foi condenada, pela Procuradoria Distrital de Manhattan, por receber e transferir bilhões de dólares de offshores mantidas por casas de câmbio na América do Sul.

O trabalho da Receita Federal para chegar aos nomes das pessoas físicas e jurídicas que mantinham, através de doleiros, movimentação financeira no Beacon Hill foi possível graças ao apoio de autoridades americanas e ao trabalho da força-tarefa do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

A relação dos envolvidos está sendo mantida em sigilo pela Justiça Federal e pela Receita Federal. A intenção é evitar injustiças, já que manter ou remeter dinheiro para o exterior, em tese, não é crime.

O fato, porém, de essas pessoas utilizarem serviços de doleiros comprovadamente envolvidos em lavagem de dinheiro levou a Receita --e agora a Justiça Federal --a investigar a origem e a natureza dos valores mantidos no exterior.

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